Onde quer envelhecer?

E se de repente fosse confrontado com tal questão? E se pudesse escolher o local e ambiente onde poderia passar o resto da sua vida?

Quando questionamos os mais velhos sobre ‘’qual o lugar ideal para envelhecer’’, respondem geralmente ‘’aquele que eu já conheço’’. Na verdade, envelhecer no lugar onde se viveu a maior parte da vida e onde estão as principais referências (relacionais e materiais) constitui uma vantagem em termos de manutenção do sentido para a vida e de preservação de sentimentos, de segurança e familiaridade. Isto é alcançado tanto pela manutenção da independência e autonomia, como pelo desempenho de papéis nos locais onde se vive.

Há um facto que não podemos negar nem nos esconder: O Mundo está a envelhecer! A população cada vez é mais velha. Estaremos preparados para isso? Ou vamos continuar a seguir a linha de resolução dos variados’’ problemas’’ da sociedade actual, esconder!

Vamos esconder os nossos idosos? Será que é isso que eles querem? Será que é isso que queremos num futuro para nós?

Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, em termos globais o número de pessoas com mais de 60 anos poderá alcançar os 22% em 2050 e atingir um valor da ordem dos 34% na Europa, o que significará então que um em cada três europeus terá 60 ou mais anos de idade.

Fazendo parte da região mais envelhecida do planeta, em Portugal a tendência para o envelhecimento populacional é ainda mais acentuada, o que faz de Portugal um dos países mais envelhecidos do mundo (Fernandes, 2014).

Ao invés de ser «um problema», o envelhecimento da população constitui um feliz ponto de chegada do desenvolvimento humano. Viver mais tempo é fruto de conquistas diversas sob o ponto de vista médico, tecnológico e social. Mas a existência de um número cada vez mais elevado de idosos saudáveis e ativos constitui igualmente um desafio para as comunidades, sejam elas urbanas ou rurais. À medida que envelhecem as pessoas têm necessidade de viver em ambientes que lhes proporcionem o suporte necessário para compensar as mudanças associadas ao envelhecimento, algumas delas sinónimo de perda de capacidades. A criação e manutenção de contextos favoráveis e facilitadores do envelhecimento é uma tarefa indispensável para a promoção do bem -estar das pessoas idosas e para que elas possam continuar a ser, pelo maior tempo possível, autónomas e socialmente relevantes. O lugar onde a pessoa vive não é apenas a sua casa, também é a comunidade onde essa casa se insere. A organização do espaço, o tipo de edifícios, a rede de transportes, a disponibilidade de serviços na zona envolvente à habitação, tudo isso são variáveis que contribuem para um envelhecimento verdadeiramente participativo ou, pelo contrário, para um envelhecimento socialmente excluído. Perante estes dados, é inevitável que se questionem as perspectivas tradicionais sobre os modos de vida em idade avançada e sobre o tipo de recursos a mobilizar para responder aos desafios do envelhecimento populacional.

O que se faz em Portugal?

Em Portugal, as primeiras respostas universais destinadas às pessoas mais velhas começaram a emergir após o 25 de Abril de 1974, quer através de modalidades de ação social (por via da criação de serviços e equipamentos), quer através da prestação de apoio económico (sob a forma de subsídios, reformas e pensões). Uma das faces mais visíveis da política social de apoio aos idosos foi sem dúvida a evolução do número de equipamentos sociais, com incidência nas respostas Centro de Dia (com um crescimento de 28% ao longo da década de 1990) e Lar de Idosos (passando de 600 em 1994 para 895 em 1996); os anos seguintes iriam acentuar este investimento, com um crescimento de 38% da resposta Lar de Idosos e 30% da resposta Centro de Dia, entre 2000 e 2011 (Guedes, 2014).

Apesar do número de pessoas a residir em instituições constituir uma pequena minoria do total da população idosa portuguesa, o Lar de Idosos tornou -se um ícone das respostas sociais para a velhice, surgindo mesmo associado a um sinal de desenvolvimento social por desse modo atender -se às necessidades dos mais velhos através de um serviço permanente de prestação de cuidados. É verdade que o Lar de Idosos constitui atualmente uma resposta imprescindível em situações de extrema vulnerabilidade ou quando mais nenhuma outra alternativa se revela suficiente para corresponder às necessidades da pessoa idosa (que podem ir do abandono social à degradação das condições materiais de vida), mas também não é menos verdade que a entrada num Lar de Idosos provoca sempre uma rutura com o quadro de vida anterior da pessoa e quase sempre com a comunidade a que ela pertencia. Não obstante a taxa de ocupação dos Lares de Idosos apresentar valores próximos dos 100% (e frequentemente com listas de espera em número idêntico ou até superior às vagas disponíveis), não é possível nem seguramente desejável prosseguir indefinidamente a expansão desta resposta em detrimento de outras que visem garantir a manutenção da pessoa idosa no seu domicílio. Com este propósito, o Serviço de Apoio Domiciliário tem vindo a fazer o seu caminho, sendo a resposta social que apresentou maior crescimento. O investimento realizado nos últimos anos tendo em vista a sua disseminação por todo o país e a diversificação dos serviços prestados aos respetivos utentes tem seguramente contribuído, de forma discreta mas efetiva, para a manutenção de um número considerável de pessoas idosas no seu meio habitual de vida, retardando ou evitando mesmo a institucionalização.

As famílias que contratam serviços de apoio domiciliário para os seus idosos procuram essencialmente garantir a solução de dois problemas: a falta de autonomia e a solidão . O apoio domiciliário permite que exista a companhia regular de um profissional e ainda que sejam asseguradas tarefas do dia a dia, como o controlo das tomas da medicação, apoio ao nível da higiene dos idosos, da sua alimentação e de todas as outras tarefas domésticas. Para além das vantagens para os idosos, o apoio domiciliário melhora também as relações familiares. O pouco tempo que a família passa em conjunto, pode ser canalizado para a partilha e para os afectos, já que as necessidades básicas e a qualidade de vida do idoso e dos cuidadores familiares, está assegurada.

Assim sendo, o Serviço de Apoio Domiciliário da CSSEF apresenta-se como uma solução viável para a prestação de cuidados no domicílio, com o objectivo de proporcionar uma manutenção ou melhoria na qualidade de vida dos nossos clientes, através da nossa equipa multidisciplinar que está ao seu dispor 24 horas por dia / 7 dias por semana.

 

Referências:

Fernandes, A. (2014). Revolução demográfica, saúde e doença. In A.M. Fonseca (Coord.), Envelhecimento, saúde e doença. Novos desafios para a prestação de cuidados a idosos (p. 7 -26). Lisboa: Coisas de Ler.

Guedes, J. (2014). Cuidados formais a idosos – desafios inerentes à sua prestação. In A.M. Fonseca (Coord.), Envelhecimento, saúde e doença. Novos desafios para a prestação de cuidados a idosos (p. 181 -218). Lisboa: Coisas de Ler

 

Tiago Araújo 

Enfermeiro Especialista em Reabilitação

 

 

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