O erro de esperar demais

Cuidadores informais

Está mais que na moda falar de cuidadores informais, a classe política apoderou-se e tem como bandeira, de campanha ou não, fazer com que estas pessoas não sejam esquecidas.

Mas quem são estes cuidadores?

Numa recente publicação do suplemento digital  P2 do Público os cuidadores informais são: ” maioritariamente mulheres familiares da pessoa de quem cuidam (nomeadamente esposas ou filhas/noras); têm idades entre os 45 e os 55 anos (no caso de filhas/noras), ou 65 anos ou mais (no caso de esposas); residem com a pessoa de quem cuidam; apresentam baixa escolaridade; prestam cuidados durante quatro ou mais horas; auferem, potencialmente, baixos rendimentos.”

Sendo que estes cuidadores podem desempenhar as mais variadas tarefas. Estas podem ir da mais simples companhia até às atividades complexas e desgastantes dos cuidados de proximidade como a higiene pessoal.

Porque se desgastam tanto os cuidadores informais?

Quantas vezes, nós pessoas ativas da sociedade cuidamos de alguém, dependente, 24h por dia, 365 dias por ano e sem direito a salário ou a férias?

Provavelmente nunca, imaginem esta proposta de trabalho:

Procura-se profissional sem experiência para:

Cuidar de alguém 24h por dia;

Sem direito a remuneração ou férias;

Sem bonus anuais;

Sem direito a greve;

Sem direito a seguro de trabalho ou acidentes pessoais.

Quem na realidade aceitaria tal coisa!?

Pois é isto que atualmente em Portugal tem direito um cuidador familiar ou informal.

Está na hora de capacitarmos os nossos cuidadores, dar-lhes formação e estratégias para poderem fazer o seu trabalho mais tempo e com mais dignidade.

Dar oportunidade de estes poderem descansar, colocando estruturas e meios, como a rede nacional de cuidados continuados ou equipamentos como os Serviços de Apoio Domiciliário à sua disposição.

Mas verdadeiramente à sua disposição e não colocar-los em filas de espera em que não podem estar ou a preencher papelada à qual não conseguem dar resposta.

Humanize-se o apoio a quem cuida, não chega criar uma qualquer prestação social e demitir-se de tudo o resto.